sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O que faz um corretor de ações?

Como primeira postagem "oficial" do blog, vou falar um pouco sobre a profissão (ofício) de corretor de ações.

As corretoras são instituições financeiras que intermediam a compra e venda de títulos e valores mobiliários para seus clientes. Em suma, para comprar e vender na bolsa de valores (ou mercado de balcão) é necessária a intermediação de uma corretora. SEMPRE.



Os profissionais das corretoras encarregados de executar as operações dos clientes da casa nos sistemas eletrônicos de negociação das Bolsas são denominados "operadores". Algumas licensas e certificações são necessárias para exercer a função, podendo citar:

  • Certificação de Agente Autônomo de Investimentos e Profissional de Instituiçao Financeira - a famosa ANCOR.
  • Certificaçao de operador de Pregão Eletrônico - GTS (Global Trading System - a plataforma de Acesso direto da BM&F) e MegaBolsa (Idem para BOVESPA).
  • Certificaçao Operacional do Programa de Qualificaçao Operacional - O malfadado e odiado PQO
  • No momento estou correndo atrás de me certificar como Especialista em Investimentos, pois como explico abaixo, o foco do meu trabalho é em assessoria.
Com o fim dos negócios apregoados "viva-voz" e a algazarra da bolsa indo para o meio eletrônico, a figura do operador também mudou muito de perfil.
O que era assim
 Ficou assim

O operador é o cara da linha de frente da corretora em dois sentidos: por um lado está em contato direto com o cliente e do outro é o link da propria corretora com o mercado (se o corretor passar uma ordem absurda do tipo "venda de 2 milhões de PETR4 @ mercado", ela será executada sem questionamento, tendo o broker e a corretora que arcar com os danos eventuais).
Em geral o operador é remunerado com salário base e/ou uma comissão sobre a corretagem que seus clientes geram (o cara da ordem acima vai passar um tempo sem ver a cor do salário/ comissão).

Existem dois tipos básicos de cliente: varejo (Pessoa física) e Institucionais (fundos e afins).

Em geral as corretoras possuem mesas distintas para cada tipo de cliente, justamente para evitar erros e permitir um melhor atendimento para os dois. Trabalhar com ambos os grupos possuem prós e contras:

Geralmente o operador que trabalha com pessoas físicas tem que correr atrás e montar sua carteira de clientes. Você pode até receber alguma comissão através de ordems avulsas, mas se pretende possuir algum controle sob sua remuneração, se prepare para correr atrás e fazer um pouco de trabalho comercial.

Costumam ser clientes com menos familiaridade com o mercado e realizam operações menos sofisticadas. Se você atende pessoas físicas, provavelmente possui entre 50 e 80 pessoas em sua base. Deve contactá-los com alguma regularidade, frequentemente explicar algum tipo de operação e ajudar a monitorar o portifólio.

O sonho de muito broker é captar um cliente institucional, que só passa ordem da casa de centenas de milhares ou mesmo milhões de reais e deixa um caminhão de corretagem na casa. Basta um único cliente desses para deixar 15 a 20 mil em comissões para o dito cujo. Porém ao contrário do colega varejista, uma ordem errada pode comprometer a remuneração por algum tempo (volte a ordem de venda de 2M* de PETR) e se por acaso o pessoal do institucional resolver não ir mais com a sua cara, você pode passar por apuros.

Eu particularmente prefiro trabalhar com pessoas físicas, é mais recompensador e estimulante pois a minha maneira de trabalhar passa a ter um papel proativo e de assessoria para o investidor. Dificilmente um gestor de fundo PDG (pica das galáxias) vai pedir a sua opinião sobre alguma coisa. Além de diversificar minha receita e permitir me dedicar as minhas operações pessoais.

Na minha opinião o camarada que deseja receber sete dígitos ao ano com comissões deve ser um porco de um trader nas operações pessoais (consequentemente leva seus clientes à péssimas operações e overtrading* e "queima" aos poucos sua base de clientes). Corretagem paga meu custo de vida e financia o meu Trade pessoal, para falar a verdade passo boa parte do tempo convencendo meus clientes a NÃO OPERAR, prefiro maximizar o retorno deles a longo prazo que gerar uma receita temporária no curto prazo que prejudica inclusive o crescimento da minha empresa.

Mais para frente farei um post sobre a minha rotina como broker, do treinamento que passo aos meus trainees e o que procuro em um operador.

*Jargão de mercado: hábito do viva voz que sobrevive nas mesas de operações de se referir à quantidades grandes de forma abreviada (Sistema Internacional de medidas mesmo): kilo ou k = mil unidades do título citado, mega ou m = milhão, G ou Giga = Bilhão.
* Overtrading - Giro excessivo do portifólio. Negociar demais e consequentemente entregar boa parte do patrimônio em corretagem, emolumentos e impostos.

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